Metodologias, ferramentas e tecnologias a favor da eficiência: o recado da NRF 2023

Edição com mais de 900 expositores e áreas dedicadas para inovação e startups teve dezenas de palestras envolvendo mais de 170 profissionais

Publicado originalmente na EXAME. Por Marcelo Tripoli

Em fevereiro de 2022, pesquisas sobre “o que fazer em um ataque nuclear?” aumentaram 38 vezes no Google Trends. Apresentado em uma palestra na NRF 2023, o dado simboliza um pouco da complexidade atual da sociedade e da busca pelas mais variadas respostas. E é com esse mundo cada vez mais desafiador que as empresas precisam lidar. E todas, da menor a maior, terão bastante trabalho para isso.

Foi também em busca de respostas que mais de 40 mil profissionais passaram pelo Javits Center em Nova York durante o NRF Retail’s Big Show, maior programação voltada para o varejo. O evento funciona bem como um termômetro e uma fotografia do cenário macroeconômico. Foi muito interessante notar como esta edição evidenciou a preocupação geral com o futuro e a importância da eficiência.

Tive a oportunidade de ver grandes palestras e uma das apresentações que marcaram a edição foi a da Kate Ancketill, CEO do GDR Creative Intelligence. Na palestra “Retail trends 2022: Innovative concepts, alternative commerce and the metaverse”, ela falou do fim da era da abundância e da complexidade que a sociedade enfrenta.

A trend foi mapeada por sua empresa usando milhões de fontes em mais de 100 idiomas. O material apontou que viver em um mundo incerto, ambíguo e volátil faz com que as pessoas busquem escapes para o estresse. De acordo com Kate, uma dessas alternativas tem a ver com o conceito da economia da dopamina: trocar transações por emoções.

Empatia e eficiência: a dobradinha essencial

Em contexto semelhante, outro material bem comentado foi o relatório “Future Drivers 2025, produzido pelo WGSN”. Andrea Bell, vice-presidente de insights do consumidor da WGSN, destacou o conceito da era de policrises: estamos vivendo a soma de múltiplos eventos acontecendo ao mesmo tempo, dos pontos de vistas climático, geopolítico, econômico e de desigualdade, por exemplo.

Pontos destacados na apresentação incluíam a relação entre interrupções de abastecimento, instabilidade civil em alguns países, guerra Rússia-Ucrânia, escassez de commodities, aumento da insegurança econômica, taxas de juros mais altas, condições climáticas extremas e os efeitos em cadeia disso tudo. Não é difícil imaginar como esse contexto absolutamente desafiador torna muito difícil encontrar respostas claras.

Por isso, a profissional aponta a necessidade de ressignificar o olhar e procurar novos ângulos. Ela chamou isso de Vuja, que seria o contrário de Deja Vu, ou seja, olhar de novo para algo de um novo jeito. É um exercício bem interessante e com certeza recompensador.

Também reverberou bastante a apresentação “Retail Redefined: 2023 and beyond”, feita pela Kantar, que apontou temas fortes para o ano, entre eles novas realidades macro, a redefinição do comprador que vive em condições desafiadoras e o gerenciamento de contradições para manter os consumidores e ao mesmo tempo manter o negócio lucrativo.

Além das pesquisas e reflexões, pensando em diversos líderes que ouvi, fica claro para mim que mais do que nunca precisamos ser mais eficientes. Fazer mais com menos. Isso não significa baixar a qualidade, mas usar o que temos à disposição, como metodologias, ferramentas e tecnologias, para fazer melhor. É possível e temos o dever de aprimorar a experiência do consumidor e ao mesmo tempo evitar desperdícios.

No contexto atual, e tudo precisa estar não só estruturado, mas alinhado a valores essenciais hoje, como a empatia. O growth pelo growth não é mais uma prioridade na pauta das companhias, diante do quadro de enxugamento de recursos e de investimentos, aumento da inflação, sensação de instabilidade com relação a renda de uma parte da população e muitos layoffs acontecendo ainda.

Ah, mas a digitalização está desacelerando? Não, pelo contrário. Porém ela está mais focada em eficiência, e quem souber lidar com isso tem maiores chances de seguir firme diante dos desafios globais.

Quem trabalha com marketing, vendas, e-commerce, experiência do usuário e áreas correlatas precisa aprender o que é necessário para enfrentar os desafios e usar tudo que tem à disposição. O crescimento precisa acontecer, claro, mas não a qualquer custo e jamais descolado dos resultados.

Até ano que vem.

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