SXSW: Porque viajo para Austin todos os anos desde 2009 e como aproveitar o festival ao máximo

De volta com a versão presencial, a programação desenvolvida para 11 a 20 de março carrega uma responsabilidade histórica

O  SXSW (South by Southwest ou South By), festival hoje conhecido como a meca da inovação no digital e no audiovisual, nasceu da inquietude de empreendedores em 1987. No começo foram menos de mil pessoas participando, mas em em 2019 o festival atraiu mais de 417 mil pessoas. Com os participantes migrando em março para a charmosa cidade de Austin, no Texas, o evento se tornou a melhor definição do zeigest da transformação que vivemos, impulsionada pela digitalização.

Por que parei em 2019? Foi a última edição presencial antes do mundo virar de cabeça para bai­­xo com a pandemia. Em 2020, o festival acabou cancelado (estava de malas prontas, foi cancelado 1 semana antes de começar) e em 2021 aconteceu no formato online. Agora, de volta às ruas de Austin, a programação de 11 a 20 de março carrega uma responsabilidade histórica. Além de ser a primeira edição presencial “pós-pandemia”, reúne discussões diversas, necessárias e complexas, entre elas o impacto dos algoritmos na sobrevivência da humanidade, vício digital gerado pelo UX e como a tecnologia do RNA mensageiro irá mudar a saúde para sempre.

Reforço a pergunta: vocês estão prontos? Porque o evento oferece muita coisa para ver, absorver e compartilhar. Toda a diversidade dos temas está espalhada em diferentes trilhas de programação, divididas em Conference (Antiga Interactive), Film e Music, e tudo que ocorre de forma paralela, como as programações Creative Industries Expo, Art Programy e Comedy. Há ainda o SXSWEdu, que acontece uns dias antes do evento principal. As mais de 2000 apresentações foram agrupadas em 5 temáticas: descobrindo o desconhecido, construindo para o futuro, estamos todos conectados, a evolução da mídia e o poder da inclusão.

Por toda essa diversidade de possibilidades, estarei novamente no SXSW no período de 11 a 16 de março para dar uma pausa na minha rotina e me conectar com a maior número de pessoas e ideias.

Divido com vocês uma curta lista de sobrevivência que aprendi depois de 10 anos frequentando o South By, um evento enorme que para ser aproveitado ao máximo precisa de muita preparação:

  1. Não deixe para entender a dinâmica do evento e as possibilidades do que te interessa apenas quando chegar lá. É fundamental que você gaste um tempo antes da viagem analisando a agenda no app/site e colocando nos favoritos o que te interessou (coloque 3 ou 4 opções por slot de tempo);
  2. Se quiser muito ver algo chegue pelo menos 30 minutos de antecedência na sala. Como o festival está espalhado na cidade entenda o mapa e calcule o deslocamento;
  3. Tenha sempre um plano B caso a sessão esteja lotada. Ou se não estiver entregando não tenha receio de sair e ir para outra (por isso é fundamental ter no seu app outras opções marcadas);
  4. Evite ir apenas pelo título da sessão, priorize o BIO dos speakers. Muitos títulos não entregam o que prometem;
  5. Evite painéis com mais de 2 speakers;
  6. Tire fotos, grave áudio/vídeo e tome notas. É muito conteúdo, difícil lembrar depois;
  7. Muitas vezes o melhor não é o conteúdo da sessão, mas sim o papo com a pessoa do seu lado antes ou depois;
  8. Aproveite a cidade, seus restaurantes e bares, não fique trancado o dia todo em uma sala de palestra;
  9. Saia da sua zona de conforto: se trabalha como marketing veja uma sessão sobre desenvolvimento de software, por exemplo;
  10. Não se estresse se perder algo, você está lá para curtir, não para fechar uma cartela de quem viu mais palestras;

Vale ressaltar que não existe um único SXSW, não tente buscar qual é “o tema” do evento, qual é a próxima tendência. A beleza do festival é a diversidade, cada pessoa sai de lá com uma experiência única. Por isso não tenho a pretensão de indicar quais são as palestras “imperdíveis”, isso é uma grande bobagem. Mas na minha lista 3 conversas que não pretendo perder:

  • Startup to Global Enterprise: Alyson Shontell, editora da Forbes, entrevista Stephen Hoge, presidente da Moderna, a farmacêutica que em conjunto com a Pfizer criou a vacina baseada na tecnologia de RNA Mensageiro para combater a Covid 19;
  • Provocative Predictions: o professor da NYU Scott Galloway é um dos maiores pensadores sobre o impacto da digitalização nos negócios e na sociedade

Se você está buscando um evento de “x passos para fazer alguma coisa”, saiba que o SXSW não é para isso. Ali você está exposto a muitas informações que não são necessariamente da sua área de atuação e que têm o poder de te tirar da zona de conforto. Não é uma receita simples. Os ingredientes isolados como uma palestra sobre ética, outra sobre robôs e outra sobre vacinas ou UX, por exemplo, precisam ser digeridos com outros conteúdos e… gente. Você tem a oportunidade de debater com outras pessoas que estão ali na mesma fila, no corredor etc.

Esse momento de fazer conexões, ouvir outros pontos de vista, é parte essencial da experiência. Tem até um termo que eu aprendi lá, o serendipity, que basicamente significa fazer uma feliz descoberta ao acaso. O SXSW proporciona isso. Muitas pessoas sedentas por conhecimento e de mente aberta, concentradas no mesmo mood em uma cidade que está respirando o evento.

Irei dividir como vocês no Instagram e LinkedIn da Zmes tudo que eu observar de bacana em Austin. Se estiver lá me mande uma mensagem e vamos tentar um encontro, essa é a essência do festival.

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