Bancos digitais terão mais de 435 milhões de contas até 2026. Tem cliente engajado para tudo isso? 

Pesquisa da Exton Consulting de dezembro de 2020 revela que o Brasil é o quinto colocado no ranking global de neobanks, atrás apenas do Reino Unido, da Coreia do Sul, da Suécia e da França

Os bancos nativos digitais são aqueles que já nascem virtuais, sem agência ou atendimento físico, presencial. Assim, eles são alternativas às filas de bancos, tarifas para manutenção de conta e à burocracia inerente às transações financeiras. Conhecidos como “neobanks”, esses são os negócios financeiros mais promissores dentro das fintechs, que também contam com serviços como corretagem de investimentos, oferecimento de empréstimos e pagamentos digitais, dentre outras. 

Se o ano de 2020 e a pandemia que definiu o “novo normal” representaram uma série de mudanças, como crescimento do e-commerce e delivery, por exemplo, ele também foi um ano de desafios sem precedentes a milhões de pessoas que perderam seus empregos. 

Nesse cenário, as fintechs disponibilizaram serviços financeiros fundamentais a uma parcela considerável da população desbancarizada ou com menor poder aquisitivo, o que a impossibilitava de ter acesso a créditos financeiros e outros serviços, como empréstimos e cartões. 

Hoje, os neobanks brasileiros são tema da leitura. Vem entender o que se transforma com os bancos digitais nativos e as perspectivas para o setor nos próximos anos. 

Popularização dos neobanks

Diversas novas tecnologias permitem que os neobanks escalem suas plataformas bancárias, lancem novos produtos financeiros e adquiram clientes. Além dos pagamentos digitais, a segurança e proteção de dados é essencial para reter os clientes. 

Outro ponto que conta é o atendimento e as mídias sociais, que têm sido um catalisador para a popularização dos neobanks. 

Vale, também, ressaltar que os bancos nativos digitais estão construindo um senso de confiança no setor bancário, alinhando seus negócios e declarações de missão ESG e de impacto social.

Neobanks x crise sanitária

O grande diferencial dos neobancos é não cobrarem taxas ou exigem ganhos mínimos para abertura de contas com certas vantagens. Em vez disso, eles monetizam suas plataformas por meio de taxas de intercâmbio nas compras dos consumidores, taxas de transferência instantânea em redes P2P e spreads de investimento. 

Assim, com recursos que proporcionam aos clientes sem banco uma sensação de segurança financeira, como cheque especial, adiantamentos em folha de pagamento e saques em caixas eletrônicos, esses aplicativos começaram a preencher uma enorme lacuna do mercado. E embora essa modalidade bancária já fosse conhecida antes de 2020, a recessão causada pela crise sanitária representou uma tábua de salvação econômica para diversas famílias.

Nos Estados Unidos, de acordo com o eMarketer, os bancos digitais foram a salvação de mais de 30 milhões de famílias que não tinham contas e tiveram dificuldades em receber os auxílios do governo. 

Nesse cenário, as bases de usuários desses aplicativos continuaram a crescer e realizar transações com mais frequência durante as fases iniciais da recuperação econômica, levando os neobanks a investir em novos produtos de tecnologia e melhores interfaces de experiência do usuário. 

Esses fatores combinados levaram a uma nova arquitetura de tecnologia, com maior adoção de pagamento digital e um cenário regulatório favorável e firmou a participação dos neobanks em um setor de mais de US$ 60 bilhões.

Perspectivas pós-pandemia

Vale ressaltar, também, que no pós-pandemia haverá oscilação no número de abertura de contas dos bancos nativos digitais. De acordo com dados do eMarketer, as aberturas de contas em 2020 foram de 10,1 milhões, o que representou uma queda de 35,1% em relação aos números anteriores à pandemia. 

No entanto, a queda com base no canal foi associada a um declínio geral nas contas abertas durante o período. À medida que os bancos fechavam suas agências, os canais digitais representavam uma parcela maior das aberturas de contas.

Assim, em 2021, o monitor prevê que as aberturas de contas aumentem durante o retorno à normalidade (à medida que a demanda por produtos aumentar igualmente), caiam novamente em 2022 e se estabilizem até 2024.

Neobanks no Brasil

A pandemia representou um marco para o ecossistema financeiro tanto da América Latina quanto do Brasil, especificamente. Uma pesquisa de dezembro de 2020 realizada pela Exton Consulting (empresa especializada em estratégia e gestão de serviços financeiros) revelou que a América Latina está perto da marca dos 50 neobanks ativos. 

Além disso, o Brasil é o quinto colocado no ranking global em número desse tipo de instituição financeira, atrás apenas do Reino Unido, da Coréia do Sul, da Suécia e da França. 

Dentre os neobanks mais lembrados no Brasil, estão Nubank, Next, Inter, AgiBank, Original e muito mais. Essas instituições, apesar de exclusivamente digitais, já se equiparam aos bancos tradicionais na mente dos usuários. 

4 principais catalisadores da preferência pelos neobanks

Redução dos pontos de atrito

Filas de bancos, tarifas, burocracia, dificuldade de acesso e de atendimento são algumas das principais reclamações dos usuários de bancos. Com um planejamento que visa a redução desses incômodos, os bancos nativos digitais permitem que os usuários resolvam suas vidas financeiras de forma cômoda e prática em poucos cliques.  

Otimização da experiência

Além da solução dos pontos de atrito, a facilidade de navegação e de acesso a serviço e compreensão de termos complexos do mundo das finanças colabora para uma experiência positiva. Os bancos digitais prezam pela confiança e relacionamento, o que garante um lugar cativo na memória do usuário.

Impacto social

Especialmente o público da chamada Gen Z se identifica com marcas que focam em causar impacto social positivo e têm entre seus interesses discussões em torno de representatividade e sustentabilidade. Os bancos nativos digitais já demonstram essa preocupação, especialmente servindo como ponte para populações de baixa renda durante a pandemia, por exemplo.

Recompensas

Os programas de fidelidade têm pipocado pelas redes sociais de marcas de diversos segmentos. Cashback, descontos, brindes e outras formas de garantir a fidelidade do usuário. 

Se você quer saber mais sobre os bancos digitais, baixe gratuitamente e na íntegra a pesquisa realizada pela Zmes, que revela pontos importantes sobre a relação dos usuários com os apps de bancos digitais. 

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