Marketing digital: vilão da privacidade ou amigo do consumidor?

2 em cada 3 usuários de smartphones prefeririam oferecer dados em troca de acesso gratuito a seus aplicativos preferidos

Discussões em torno de privacidade e divulgação de dados em aplicativos nunca estiveram tão em alta. Gigantes da tecnologia, tais como o Facebook e a Amazon, estão levando em consideração as preocupações com o marketing digital e com a privacidade ao desenvolver novos produtos, como alto-falantes inteligentes e plataformas de realidade aumentada ou virtual. 

Além disso, recentemente, a Apple deu aos usuários mais informações e controle sobre como eles são rastreados. 

Conteúdos e serviços na Internet normalmente têm apenas 2 formas de serem financeiramente viáveis. Cobrança de assinaturas ou publicidade. Diversas pesquisas apontam que a maioria das pessoas não deseja pagar para consumir seus conteúdos e serviços online. Além disso dificultar a coleta de dados não significa reduzir o volume de publicidade que vemos na Internet e sim reduzir a habilidade das empresas de te entregarem uma publicidade mais relevante. 

Np estudo de hoje, vamos abordar mais sobre a questão da privacidade e como a coleta e uso de dados responsável pode aumentar o resultado do marketing da sua empresa e ao mesmo tempo ser positivo para seus consumidores.

A importância da transparência no marketing digital para o consumidor  

O comportamento do consumidor tem se modificado ao longo dos anos e o acesso a informações de como as empresas usam os dados obtidos bem como sobre o funcionamento de políticas de privacidade e cookies têm sido cada vez mais disseminadas.  

Assim como uma boa experiência é fundamental para construir um relacionamento duradouro com os usuários, priorizar a transparência também tem grande valor para o usuário hoje. Os consumidores se mostram cada vez mais conscientes de como seus dados afetam a economia digital e, por isso, a tendência é que passem a valorizar a clareza sobre o mecanismo nessas utilizações. 

Uma pesquisa da Edelman’s Trust Barometer, de 2020, aponta que 34% dos entrevistados ressaltaram a preocupação com a cybersegurança e o vazamento de dados online. O item ficou em sétimo lugar na pesquisa, atrás de assuntos como aquecimento global, pobreza, pandemia e perda de emprego e à frente de opções como fake news e corrupção. 

Os números revelam que a cada ano o consumidor parece mais preocupado sobre a divulgação de seus dados e procura se informar sobre seus direitos. Assim, eles passam a duvidar da idoneidade e das intenções por trás da solicitação de suas informações. Uma pesquisa da Cisco de junho de 2020, revela que quase metade dos usuários com menos de 45 anos conheciam e se interessavam em ler a íntegra de políticas de privacidade.  

Outra pesquisa, desta vez da Toluna (fevereiro de 2021), revela que, no Brasil, 99,8% dos usuários de aplicativos de mensagens de telefones celulares usam o WhatsApp e deste total, cerca de um quarto dos usuários considera as mudanças de política como uma invasão ou desrespeito à sua privacidade. A pesquisa também descobriu que 13,7% dos entrevistados planejam parar de usar o aplicativo em virtude das mudanças em seus termos de privacidade. 

O caso da Apple 

A Apple lançou grande atualização para o iOS recentemente, exigindo um opt-in antes que os aplicativos possam fazer o rastreamento dos usuários em seus canais. Em janeiro de 2021, cerca de 72% dos usuários de iPhone e iPad já estavam cientes da atualização na política de privacidade da Apple. 

Com as mudanças, a Apple está liderando uma transformação que oferece aos usuários mais controle sobre seus dados. Assim, a companhia está à frente no ranking “Digital Rights Corporate Accountability Index” (Índice de Responsabilidade Corporativa de Direitos Digitais), que destaca empresas globais de tecnologia que priorizam a privacidade de seus clientes.  

As mudanças na privacidade na Apple e a forma como a empresa lida com essas atualizações cria impactos positivos e competitivos aos usuários. De acordo com dados da pesquisa Consumer Reports, dentre os usuários que mudaram de um smartphone Android para iPhone nos últimos cinco anos, 24% acham a Apple mais segura e 18% fizeram a escolha porque queriam um telefone com melhores proteções de privacidade.  

As mudanças nos termos de privacidade da Apple podem ajudar os usuários a escolher entre aplicativos comparáveis. Por exemplo, um consumidor poderá comparar os aplicativos de mensagens Signal e WhatsApp lado a lado e ver claramente as diferenças em suas políticas de compartilhamento e rastreamento de dados.  

Além disso, vale ressaltar que os usuários parecem estar divididos entre privacidade e taxação. Cerca de 31% dos proprietários de smartphones nos EUA informaram que permitiriam o rastreamento de todos os seus aplicativos para evitar pagar para acessá-los, enquanto 30% não permitiriam qualquer rastreamento de aplicativos, mas prefeririam pagar uma assinatura para alguns deles, de acordo com o Pesquisa global da AppsFlyer / MMA. 

4 ideias para ganhar a confiança dos consumidores e usar dados em favor de uma melhor experiência 

Gere benefícios para seus clientes 

A coleta de dados permitida pelo marketing digital deve ser utilizada para gerar jornadas personalizadas e que atendam de forma mais relevante seus consumidores. Pense e implemente soluções com este mindset. 

Utilize os dados de forma agregada 

Empresas que obtenham os dados “first-party” (ou seja, coletados pela própria empresa) precisam criar mecanismos para que estes dados sejam utilizados de forma agregada, nunca individualizado, a não ser seja de interesse específico do consumidor  

Ofereça controle  

Permita aos seus usuários alterarem a autorização aos dados e a revisão de interfaces de terceiros com outros dispositivos e aplicativos. Essa simples etapa, explicando a possibilidade de revogação vai oferecer mais tranquilidade e aumentar a confiança em seu negócio. 

Organize sua empresa para este tema 

A Amazon, por exemplo, tem um time designado chamado de “Alexa Trust”. Trata-se de uma equipe dedicada às preferências, dúvidas e necessidades do consumidor em relação à privacidade. Isso permite não apenas mais proximidade e confiança, mas também mensurar quais são as principais incertezas e inquietações, o que pode permitir ações específicas para sanar essa dificuldade. 

Você pode gostar
Leia mais

Marketing digital sem cookies: a importância de construir sua audiência

Google pretende retirar os cookies de terceiros do seu navegador, Chrome, em 2022.  Navegador é padrão para cerca de 70% dos usuários de internet  De um lado, os defensores da privacidade de dados; do outro, as empresas, que, por meio dos cookies, têm seus anúncios veiculados de forma certeira e personalizada.   No meio desse conflito, estão o…